quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Você sabe o que acontece no nascimento do seu bebê?

Bom, gente, eu sou enfermeira, amo a área de obstetrícia e sempre tive vontade de fazer um post sobre esse assunto, assim, mais específico, mas sempre enrolo, enrolo e não faço!

Daí hoje o blog Mulheres Empoderadas fez um post falando exatamente TUDO, então eu vou copiar descaradamente o post da Gisele, dona do blog, e colocar aqui! rs! E as partes em vermelho são observações minhas, Ok?!

Confiram:


A gravidez chegou… às vezes sorrateira, de surpresa. Às vezes planejada. Começamos essa viagem rumo à recepção de nosso querido bebê. Muitas vezes a ansiedade já toma conta logo no ínício… conto ou não conto para as pessoas que convivem comigo? E o meu chefe? O que vai pensar? Meu filho mais velho vai ficar com ciúmes? Vão me julgar inconsequente? Será que será saudável? Parto normal ou cesárea?

Todas essas dúvidas, e mais algumas centenas delas povoam nossamente durante o inebriante mergulho de nove meses em que estamos nos preparando para receber nosso bebê em nossos braços.

E imaginamos milhares de vezes este momento. O momento de olhar para seu rostinho, de pegá-lo, abraçá-lo, aninhá-lo… Um momento imaginado, vivido, sentido em toda sua extensão mesmo antes de acontecer.

E é para ser um momento especial. Um momento da família que se forma ou que aumenta.

A maioria de nós, não imagina a dinâmica de um parto, e por isso romantizamos o momento, vendo o bebê nascer e vir diretamente para nosso colo, sentir seu cheirinho, tocar sua pele macia… Eu pelo menos sempre imaginei este momento assim. Mas como a maioria das artimanhas que nosso imaginário cria, em muito mais do que 90% dos nascimentos este momento fica apenas no imaginário das mamães…

Por isso, uma mulher que vai atrás de informações baseadas em evidências científicas, tem condição de negociar com o pediatra antes do parto, o que ela deseja e o que não deseja de intervenções em seu bebê.

É claro que a maioria dos pediatras tem que seguir o protocolo dos hospitais. Protocolos ultrapassados, que realizam intervenções de rotina nos recém-nascidos (assim como nas gestantes) e os tratam todos iguais, sem respeitar as individualidades de cada momento de nascimento e de cada bebê.

Você conhece todas as intervenções que seu filho sofreu ou vai sofrer no hospital?

Sabe para que serve cada uma delas?

Sabe a indicação de cada uma?

Vou tentar colocar todas aqui. Se alguém souber de alguma coisa que não está aqui, ou quiser corrigir algo que eu escrevi, por favor nos escreva: mulheresempoderadas@yahoo.com.br


Manobra de Kristeller 

É quando o anestesista ou um enfermeiro, durante o período expulsivo empurra com força a barriga da mulher (o fundo do útero) para que o bebê “saia mais rápido”.
Essa manobra é proibida em alguns países e não é recomendada pela OMS, pois além de ser uma violência com mãe e bebê, pode prejudicar o assoalho pélvico, o períneo, causar inversão uterina, ruptura uterina, e uma série e complicações no parto e pós-parto, podendo inclusive causar a morte materna ou fetal.  NÃO É INDICADA em caso algum!



Vácuo Extrator e Fórceps

Forceps e Vácuo Extrator  são instrumentos usados para ajudar na retirada do bebê, quando a mãe já está cansada e não consegue sozinha fazer o expulsivo.
Indicado apenas quando há evidência de sofrimento fetal por expulsivo muito prolongado. Entretanto há expulsivos demorados, que não há necessidade de uso de fórceps ou vácuo. Mudar de posição por exemplo, ajuda muito a saída do bebê. Entretanto, novamente com intuito de “apressar” o parto, é usado rotineiramente no Brasil.


Aspiração e lavagem gástrica 

Bebês nascidos de parto normal, que estejam bem, não precisam ser aspirados! Ao passar pelo canal de parto, os pulmões do bebê são massageados, provocando a expulsão natural dos líquidos.
Entretanto 100% dos bebês nascidos em hospital são aspirados com a sonda, como parte de protocolo hospitalar. A sonda é um tubo de plástico enorme que é introduzido até o estômago do bebê. É indicado para bebês que nascem de cesárea, justamente porque não recebem essa “massagem” durante a passagem pelo canal de parto. (A aspiração é muito incômoda e geralmente os bebês se esgoelam de tanto chorar! Eu já fiz muitas, quando estagiei numa maternidade, e sou traumatizada com isso!)


Colírio de Nitrato de Prata

Outro protocolo ridículo. É um colírio que se pinga em 100% dos bebês nascidos em hospital como rotina. Na maioria dos casos causa conjuntivite química, que aparece apenas quando o bebê vai pra casa. A única indicação é para bebês que nascem de parto vaginal cuja mãe seja portadora de gonorréia – que geralmente é detectado no pré-natal né gente?
Então alguém me explica, pelo amor de Deus, porque mães saudáveis que tem seu filho via vaginal e porque bebês nascidos de cesárea também recebem esse colírio? Alguém aí já experimentou pingar uma gotinha do colírio pra ver o quanto arde?


Vitamina K 

A vitamina K via injeção na coxa é feita no berçário, mas pode tomada via oral que funciona do mesmo jeito. É importante pra prevenir hemorragias no bebê. Quando tomada via oral, deve ser repetida mais duas vezes depois que o bebê vai pra casa. (Imaginem um bebê que acabou de nascer, de sair do quentinho do útero, não está entendendo NADA e ainda leva uma picada na perna?! É demais, né?)


 Medir, pesar, etc

Tem outras intervenções mais leves, como medir e pesar o bebê por exemplo. O bebê que estava ali, enroladinho dentro da barriga, de repente é esticado, sem maiores cerimônias para ser medido. Custa esperar um ou dois dias?? Custa?? Ahhhhh depois de alguns dias o bebezinho vai crescer muito né?? (São procedimentos simples, mas geralmente bastante estressantes para o bebê, já que ele precisa ser mantido sem roupas enquanto é pesado e medido. Desnecessário, tais procedimentos poderiam ser feitos em outros momentos. Isso sem contar que alguns profissionais da saúde são bem "grossos" com os bebês nessas ocasiões. Prefiro nem comentar essa parte.)


Dextro ou Glicemia capilar

Exame de glicemia para bebês que são considerados grandes! No hospital em que a Catharina (filha da Gisele, do blog Mães Empoderadas) nasceu, ela foi salva deste exame graças à neonatologista. Ela nasceu com 3,900 e o protocolo do hospital pregava que bebês que nascem acima de 3,700 devem ser picados para exame de glicemia a intervalos determinados pelo protocolo. (A glicemia também é feita em bebês considerados pequenos demais e em bebês que não querem mamar. O pezinho do bebê é furado para tal, e dizem ser uma dor terrível pois eles se matam de tanto chorar! Infelizmente já tive que fazer muitas e sei que não é nada agradável! Me sentia culpada a cada bebê que era obrigada a furar!)


Fototerapia

É indicado apenas quando o bebê nasce com icterícia (geralmente bebês prematurinhos) num grau muito alto. Uma icterícia leve pode (e deve) ser tratada com banho de sol pela manhã e com o próprio aleitamento materno. Não é necessário separar o bebê da mãe!


Berçário e Introdução de Fórmulas (NAN) 

Na maioria dos hospitais em nosso país, os bebês assim que nascem dão um cheirinho na mamãe e já vão para o berçário para sofrerem todas as intervenções, banho, etc. A desculpa é sempre de que a mãe precisa descansar (realmente precisamos – mas é aí que o acompanhante entra, outra lei que não é cumprida) – O pior da separação, é a introdução de fórmulas enquanto os bebês estão no berçário, prejudicando o aleitamento materno e a saúde do bebê. O Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde enfatizam cada vez mais a importância do contato pele a pele assim que o bebê nasce, e a amamentação imediata. É importante informação e empoderamento para fazer valer esse direito de mãe e bebê. (Sou totalmente contra berçários e acho que já passou da hora de serem extintos! Bebês precisam ficar com suas mães, mamando leitinho materno e não largados num berçário tomando mamadeira! Fala sério...)

Então futuras mamães, informem-se!
Cuidem para que seus filhos tenham uma boa chegada a esse nosso mundo, sem violência desnecessária!

7 comentários:

Clarinha e Suas Mamães disse...

Nossa, não imaginamos muitas dessas coisas que nossos bebês passam, coitadinhos, obrigada por compartilhar essas informações.Bjos.

Telma Maciel disse...

Ai, ai... senti dor! rs
Durante o parto eu sofri, viu? Sofri essa manobra de Kristeller (q só aqui descobri o nome!!!) e Sofia foi puxada poe fórceps (tive uma baita hemorróida depois, q fiquei sem conseguir amamentar! Foi horrível a dor!). Sofia não passou logo pela aspiração mas, como não mamava à noite e chorou mto, a levaram pra aspirar e qndo voltou ela mamou bem. A vitamina K ela tomou com dois meses, por causa de um problema intestinal q ela teve e a pediatra receitou por desencardo de consciência.
É td mto chato ou sofrido msm... eu tenho vontade de ter outro filho, mas quero planejar o meu parto antes! Eu não tinha conhecimento de mta coisa... agora farei diferente!
Bjks

TWO OF US disse...

Eu, definitivamente, não deveria ter lido este post!

Cada vez mais penso se não é egoísmo meu colocar uma pessoa no mundo. Tanto sofrimento, gente! E a vida é tão complexa, tão desafiadora...Tão, tão...Deixa pra lá os meus devaneios sobre a caminhada.

Por que não mudam tais procedimentos? Muito se fala em parto em casa. Sou contra, pois há riscos para mãe e filho. Sempre digo que qualquer procedimento mais grave é necessário fazer em hospital que tenha uma boa UTI. Posso ser radical, mas ainda confio na medicina e em toda pesquisa na área ( sem pesquisa não há desenvolvimento). Mas acredito que a medicina poderia caminhar mais para se tornar mais humanizada. Poderia, inclusive, fazer um trabalho com os profissionais da área, pois eles passam por stress absurdo! Tente imaginar você lidar com a possibilidade da morte todos os dias? Sim, são humanos, apesar de muitos não se acharem, infelizmente. Sei que muitas atitudes rígidas, frias, começam pela auto-proteção ( existe tal termo?) desses profissionais. Entendo que há muito descaso das instituições com eles. Poderia haver um esforço maior para reciclá-los e sensibilizá-los para o "retorno ao humano". Sei lá, eu penso muito e, talvez, este seja meu maior problema.

Se eu tiver coragem ( ainda) de colocar um filhote neste mundo maluco, irei pesquisar muito. Mas JAMAIS parto em casa. Não confio em parteira que não tenha formação em enfermagem e especialista em obstetrícia; não confio em espaços que não haja segurança suficiente para passar por um procedimento tão delicado, mesmo que seja parto "natural" ( eu não acho nada natural parir. Rsrsr...Desculpe-me, mas tenho aflição a tudo que se refere a sangue e o que vem daí. E olha que sou filha de um médico amante, apaixonado pela medicina.)

Maíra, penso que nossa luta deveria ser para exigir das instituições mais atenção ao paciente e ao profissional da saúde. Assim como a educação pública deve ser uma luta de todo brasileiro, a saúde ( pública e privada) também deve ser nossa bandeira também.

Bjs

...Família Colorida... disse...

Bem, respondendo ao comentário a Two of us, eu concordo que as instituições deveriam se humanizar, é o que o SUS anda tentando fazer, mas ainda com pouco sucesso. Sei bem como é o estresse dos profissionais, pois eu já estagiei durante 6 meses numa Maternidade Pública e não foi nada fácil! Agora, quanto ao parto, bem, eu sou suspeita! Sou 100% a favor do parto domiciliar, e é o que eu terei, se tudo correr bem. Uma gestação de baixo risco não precisa terminar num hospital, hospital é lugar para doentes, e gravidez e parto são fisiológicos, não patológicos. Nós não vamos no hospital para fazer cocô e nem para comer, e dar a luz é mais ou menos o mesmo processo. Eu morro de aflição de hospitais, e não me imagino dando a luz em um! Mas eu entendo que a cultura brasileira ainda tem disso, o medo do parto natural e a valorização excessiva da medicina! Tanto é que na Europa, por exemplo, a maioria dos partos são normais, acompanhados por parteiras, muitos domiciliares (caso da Holanda, por exemplo)! Isso, sim, é saúde de qualidade, e não como é aqui no Brasil, onde as taxas de cesárea são absurdas! E quanto a questão das parteiras, aqui no Brasil todas as parteiras são, na verdade, enfermeiras com especialização em obstetrícia! Sabem muito mais sobre parto normal do que médico, isso não tenha dúvidas! E também há algumas que são obstetrizes, ou seja, fizeram uma faculdade somente para serem parteiras, são as chamadas MIDWIFES, é o mesmo curso que as parteiras européias fazem, por exemplo. E, acredite, as estatísticas não mentem: os índices de sucesso com esses profissionais são imensos, praticamente taxa ZERO de morbidades e mortalidade materno e infantil! Enfim, pra mim, essas estatísticas são suficientes para eu confiar 200% nesses profissionais! Ah, e meninas, parto natural praticamente não tem sangue! Só há sangue quando se rompe vasos sanguíneos, no caso de uma episiotomia, o que não ocorre num parto 100% natural. O que tem MUITO sangue é numa cesárea, é praticamente um açougue, eu sei pois já assisti várias.
Mas cada um com seu ponto de vista, né?

Beijos, queridas!

TWO OF US disse...

Sim, questão de sentir-se segura, Maíra. Acho fundamental a segurança emocional da mãe neste momento.
Há dois meses, uma mulher aqui na minha cidade, perdeu o filho no parto em casa. Agora o casal está processando a parteira. Não acho justo. Com tanta informação, foi opção do casal contratar a parteira. Segundo eles, durante a gravidez, estava tudo ok.
No meu caso, o hospital me traria tal sentimento. Veja, você é da área, nós, não. E, claro, é preferível o parto normal, mas pela minha idade, é provável que seja cesárea, por isso nem faço planos (não quero me decepcionar, como eu já vi em alguns casos de amigas). Minha irmã, ao 41 anos, teve o primeiro filho este ano e foi cesárea, mesmo a médico e ela tentando que fosse natural, mas a questão da pressão, quase sempre ela, subiu e aí não teve jeito. Ela está bem, o B. está bem e, graças a Deus, nada aconteceu de grave! Mas a gente não tem controle do futuro, né? E eu nem sei se serei mãe, não faço mais planos como antes. Se acontecer, maravilha! Mas se não rolar...A vida não se resume a ter ou não ter filho. Ainda mais no nosso caso que amamos viajar, estudar, conhecer países e culturas diferentes, que temos uma vida tão independente, livre e super tranquila. Já até estamos investindo em dois flats com infra excelente. Isso para quando ficarmos mais velhas (lá pelos 70, 80 anos, caso não tenhamos mais forças para administrarmos a casa) e não sobrecarregarmos parentes. Mesmo se tivermos filho, Maíra, não queremos depender dele. Filho fica com a gente até os 20 e poucos anos, e olhe lá, depois a vida os abraça e que seja feliz aonde quiser voar! (e quero educar para ser responsável e se virar na vida, sem dependência emocional e financeira da gente). Assim, tudo é questão de ponto de vista. Claro, a gente vai ficando mais maduro, vai vendo a situação da vida e tem, sim, receios de colocar mais uma vida neste mundo maluco, cheio de problemas. Eu quero ser mãe, mas não é o mais importante na minha vida e na vida da minha companheira. Como disse em outro coments, a felicidade é muito subjetiva.
Bjs

...Família Colorida... disse...

Sim, meninas, eu concordo que cada mulher deve dar a luz no local onde se sentir mais segura! E arcar com as consequencias, claro! Já vi vários bebês nascerem e morrerem em hospitais, isso infelizmente acontece, aproximadamente 1% dos bebês nascem mortos ou morrem por alguma outra causa, independente da via de parto. A vida é isso, e não adianta ficar sempre procurando culpados.
E eu concordo totalmente com o que vocês dizem sobre a responsabilidade de ter filhos, eu e a Paula mesmo já pensamos várias vezes em não ter! A Paula mesmo já disse que não se sente bem em colocar outra pessoa nesse mundo que vivemos, eu, sinceramente, concordo, porém o meu desejo de ser mãe chega a ser um pouquinho egoísta, e acho que não consigo abrir mão desse sonho! Mas se eu tiver, será 1 filho também, já desisti do sonho de ter mais que 1...
Ah, e só uma observação: como eu disse, cada mulher deve dar a luz onde achar melhor, porém eu sou contra a cesárea eletiva, pois é uma cirurgia de grande porte e deveria ser feita só em caso de indicação real. E olhem, pressão alta não é indicação de cesárea, pelo contrário! O risco de hemorragia é imenso em se fazer uma cirurgia numa mulher com pressão elevada, o ideal nesse caso é mesmo o parto normal. Se quiserem posso indicar alguns livros legais para vocês sobre o assunto.

Beijinhos

TWO OF US disse...

Eu te entendo perfeitamente, Maíra. Se você deseja tanto, realize seu sonho. Vocês serão mães maravilhosas, pois têm um coração enorme e um casamento equilibrado. E pelo que noto, também são maduras e com uma cuca legal! Assim, o filhote, ou filhota, será feliz, o mais importante para enfrentar a vida!

Eu quero, sim, Maíra. Envia para o nosso e-mail, por favor. Eu morro de medo de qualquer cirurgia, detesto hospital e não gosto de ir ao médico, embora vá para exames de rotina e quando necessito...Quando o corpo pede de tanta, o que é raro, graças a Deus! No mais, fico com meus chazinhos. Acho que por isso cuido muito da alimentação e faço atividade física. Assumo, sou frágil para caramba neste quesito.
Bjks

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